Adaptação: Evolução (post scriptum)

março, 2008

O processo adaptativo, inerente à especiação e evolução das espécies é de longe o tema mais complexo da Evolução. Nem tanto pelo processo em si, mais pelo significado culturalmente concebido, e amplamente mal atribuído, da palavra adaptação na tentativa de explicar as teorias evolutivas de Lamarck e Darwin.

Culturalmente adaptar-se a uma determinada situação significa ajustar-se, adequar-se, acostumar-se a ela, modificar-se voluntariamente para atingir o objetivo proposto, enquadrar-se em um sistema, em um meio. Adaptação significa ajustamento às novas condições impostas pelo meio.

Conforme já detalhado nos textos anteriores, Lamarck juntou evidências para explicar que os animais sofriam pressões ambientais que os forçavam a modificar suas estratégias de vida, e consequentemente suas características morfológicas, como sendo a única maneira de sobreviver no ambiente aos quais estavam inseridos. Ficou claro então que os indivíduos se adaptavam, no sentido literal da palavra, ao meio ambiente conforme este lhes exigia.

Entretanto Darwin, a partir de suas evidências, considerou a existência de mais uma força que modificava os seres vivos, interna agora, responsável por promover mudanças orgânicas. Porém ele também manteve a idéia da força externa produzida pelo meio ambiente conforme Lamarck já havia dito. Mais do que isto, ele percebeu que o equilíbrio destas duas forças era o responsável pela seleção natural e, portanto, pela adaptação dos seres vivos.

É justamente neste ponto que Darwin não colaborou em suas explicações e é frequentemente mal interpretado. Ele deixou que se compreendesse que a adaptação dos seres vivos fosse um processo no qual a modificação interna ficasse subentendida no conceito.

Assim ele sugeriu que as modificações internas, sujeitas à força externa do ambiente eram responsáveis pela seleção natural e, portanto pela adaptação e sobrevivência dos indivíduos em determinado meio ambiente. Desde que a modificação interna fosse compatível com a força externa o indivíduo seria selecionado naturalmente e sobreviveria, sendo considerado mais apto. Caso contrário, se a modificação interna não fosse compatível com o ambiente, o indivíduo detentor desta modificação não era selecionado, era considerado menos apto e morria sem perpetuar sua prole e, portanto, sua espécie.

É importante notar que tal efeito não dependia exclusivamente da capacidade de adaptação no sentido literal da palavra, não cabia aos indivíduos querer escolher ajustar-se ao ambiente apenas. Era necessário que a modificação interna tivesse acontecido, e mais do que isto, que esta mudança, sob ação da força externa, fosse selecionada como apta ao ambiente.

Infelizmente Darwin e Mendel não se conversaram, muito embora há quem diga que eles tenham trocado algumas figurinhas sem obter a compreensão da interferência positiva que um poderia ter provocado nas idéias do outro e vice-versa. Mendel teria dito à Darwin que a modificação interna era na verdade uma modificação nos fatores, nome atribuído por Mendel ao que mais tarde viria a ser conhecido por genes.

A teoria sintética da evolução, também conhecida por síntese evolutiva moderna, síntese moderna, síntese evolutiva, síntese neodarwiniana ou neodarwinismo, foi formulada a partir da contribuição de muitos pesquisadores modernos que se apropriaram dos conhecimentos da genética mendeliana e populacional para elucidar o processo evolutivo.

Nem por isso a palavra adaptação deixou de ser empregada pelos novos evolucionistas, e continua sendo utilizada para referir que primeiramente ocorre uma mutação genética que é posteriormente selecionada pelo meio ambiente. Atualmente compreende-se que um indivíduo ou espécie adaptada ao meio é aquele cuja mutação genética aleatória, ou não, lhe foi favorável o suficiente para que o ambiente o selecionasse natural ou artificialmente, permitindo sua sobrevivência. O que é muito diferente de meramente imaginarmos que os seres vivos simplesmente se adaptem, ajustem, acostumem a uma nova situação, ou ambiente, por vontade própria.

Evolução: Um epílogo.

janeiro, 2008

Algumas teorias científicas possuem a curiosa característica de serem amplamente discutidas fora do âmbito científico. Em geral são as teorias mais complexas e que, de alguma forma, possuem grande importância para a ciência além de serem “estranhas” ao conhecimento popular. Um bom exemplo é a teoria da relatividade de Einstein. É uma teoria complexa que trata o universo de forma pouco usual, estabelece o tempo como uma dimensão e atesta que ele, o tempo, é relativo ao referencial. Ora, imaginar que o tempo não é um valor absoluto foge ao senso comum e gera as mais variadas interpretações da teoria.

Na biologia o mesmo ocorre com a “teoria da evolução”. Muitos discutem suas implicações nas mais variadas atividades humanas, poucos o fazem compreendendo perfeitamente o que é a teoria evolutiva e o que ela significa no entendimento da vida na Terra.  Os enganos são muitos: É a evolução apenas uma teoria? Se é uma teoria, qual sua credibilidade? A evolução atesta contra Deus? O homem é a evolução do macaco? Se é, porque não tem macaco virando gente hoje em dia? Aliás, porque não vemos novas espécies aparecendo diariamente? podemos concluir então que a evolução parou? Afinal, existem seres mais evoluídos que outros?

As dúvidas são muitas e refletem os muitos enganos no ensino e divulgação da evolução. A começar pelo entendimento sobre o que é a teoria evolutiva e a que serve. A teoria evolutiva surgiu como uma possível resposta a um problema, explicar a biodiversidade do planeta. É praticamente impossível se deparar com a quantidade de organismos vivos na Terra, e não se questionar como eles chegaram aqui. Existem várias respostas a esta pergunta, provavelmente a mais famosa é a resposta oferecida pela bíblia no gêneses.

Mas nem todo mundo estava satisfeito com a possibilidade de Deus ter criado toda a biodiversidade do planeta da forma como ela existe hoje. Com efeito, algumas pessoas começaram a estabelecer relações entre os seres vivos. Comparações morfológicos passaram a indicar proximidades entre animais que aparentemente não tinham nenhuma relação. Logo surgiu a idéia de que talvez algumas espécies tenham variado de outras.

O pensamento evolutivo mudou muito no decorrer da história e as teorias sobre a evolução acompanharam esse movimento. O assunto é extenso e merece uma série de textos para poder abranger ao menos parte da complexidade envolvida. Nos próximos textos iremos ver algumas teorias evolutivas, vamos abordar os caminhos que levaram Darwin a escrever seu famoso livro, as mudanças que a teoria darwiniana sofreu com o surgimento da genética e outros assuntos relacionados.

Até lá, keep evolving.

O ovo ou a galinha?

janeiro, 2008

O título remete à tão famosa pergunta. Quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha? Segue a eterna discussão sobre a resposta paradoxal. Mas será mesmo que a questão do ovo e da galinha é paradoxal? Curiosamente, a resposta para esta questão esta atrelada diretamente com o desenvolvimento da vida na Terra.

E não podia ser diferente. O ovo é uma estrutura reprodutiva compartilhada por uma infinidade de espécies. Trata-se basicamente do resultado entre a união do espermatozóide com o óvulo no momento da reprodução. A estrutura é basicamente a mesma, o embrião resultante da fecundação do óvulo e uma porção de vitelo que serve de alimento para o embrião. No caso do bem conhecido ovo de galinha, o embrião seria a gema e o vitelo a clara.

Pode-se dizer seguramente que o ovo surgiu primeiro que a galinha. O motivo é simples, antes que a primeira ave aparecesse na primitiva face deste planeta, os oceanos já eram habitados por peixes e outros animais que botam ovos. No caso dos peixeis o ovo não possui uma casca rígida. A fecundação é externa, ou seja, a fêmea deposita os óvulos em uma superfície qualquer no mar e o macho despeja seus espermatozóides por cima.

Ovos como dos peixes possuem um problema evidente. São muito sensíveis a mudanças climáticas e são alvo fácil de predadores. Esse problema ainda não seria resolvido com os primeiros animais a sairem do mar em direção à terra, os anfíbios. Os ovos dos anfíbios são bastante similares aos dos peixeis, a fecundação também é externa e eles precisam estar submersos em água.

Os primeiros ovos com casca rígida surgiram com os répteis. Foram um passo muito importante para a dominação de ambientes secos, já que a casca rígida protegia muito bem o embrião contra intempéries e ataques predatórios. A invenção do ovo de casca rígida coincide com o aparecimento de um novo orgão. O penis. O fato é que a casca rígida não permite que o espermatozóide seja lançado por sobre o ovo, era preciso fecundar o óvulo antes que ele se tornasse rígido. A fecundação portanto deveria ser interna e o pênis cumpre esse papel com elegância. Nós, machos mamíferos, devemos tudo aos repteis.

Na maioria dos mamíferos o ovo sofreu sérias modificações. A casca rígida se perdeu, mas pra compensar, o embrião se desenvolve no interior da mãe. A estratégia é igualmente boa, a proteção do embrião é garantida e ganha-se a vantagem de a mãe poder se locomover sem perder de vista sua futura cria. Já nas aves a estrutura do ovo é muito parecida com a dos repteis, a fecundação é interna e nem sempre é feita com o auxilio de um pênis. Na verdade, no caso das aves, o pênis não é muito vantajoso pois representa um peso extra a se carregar durante o vôo. Não é de surpreender portanto que aves como as de rapina não possuam pênis enquanto os avestruzes possuem. No caso das aves que não possuem pênis, macho e fêmea encostam suas cloacas (estruturas parecidas com o anus, mas que servem para todos os tipos de excretas e reprodução) e o macho deposita seus espermatozóides dentro da fêmea.

Acho que a pergunta correta a se fazer é: Quem surgiu primeiro, o ovo de galinha ou a galinha? Neste caso, a resposta seria que ambos surgiram ao mesmo tempo durante os processos evolutivos. O fato é que a questão sobre quem veio primeiro é tão válida quanto o paradoxo do biscoito Tostines, só vale enquanto considerada de forma despretensiosa.

A ciência e o ateísmo

janeiro, 2008

A correlação entre ateísmo e ciência não é nova. Não são poucos os cientistas de fama que ostentam tal bandeira. De fato, as vezes fica a impressão de que ser ateu é uma espécie de pré-requisito para ser um bom homem de ciência. O cenário é ainda reforçado pelos embates públicos entre líderes religiosos e a comunidade científica, mal entendidos a respeito do funcionamento da ciência (e talvez até das religiões) e a mídia incendiária que se aproveita da polêmica pra vender jornal.

Uma ciência laica.

Me é curioso que, nestas questões em que se faz necessário compreender alguns conceitos, que os pilares da ciência nem sempre sejam consultados. Como já foi discutido em outro texto neste site, a ciência tem por um dos valores principais a neutralidade. Isso significa, entre outras coisas, que o empreendimento científico não deve assumir inclinações partidárias ou religiosas. A ciência, ao menos epistemologicamente, é laica.

Tomemos por laico o seu significado correto, ou seja, de neutralidade religiosa completa. É importante compreender bem o significado deste conceito, já que não raro a laicidade é encarada como um movimento contrário à religiões.

Fui questionado recentemente se essa laicidade científica é desejada. Acredito que seja não só desejada, mas fundamental. Em uma investigação científica, aonde se pretende compreender da melhor forma possível o objeto de estudo, é importante que as interferências externas sejam minimizadas da melhor forma possível. Ideologias, credos e inclinações políticas podem afetar a investigação de modo a comprometer os resultados.

Talvez seja possível argumentar que, no caso das ciências sociais, a laicidade não seja um valor relevante. No entanto, por mais que os métodos das ciências sociais se difiram dos métodos das ciências naturais, ainda é desejável que o objeto de estudo seja investigado da forma mais precisa possível. Sendo assim a laicidade, e antes disso a neutralidade, ainda é um valor desejável.

Da epistemologia à aplicação.

Parece existir no entanto uma dificuldade em preservar os valores epistemológicos em cenários reais. Não são raros os casos em que a neutralidade da ciência é fortemente golpeada pelas ideologias, credos e inclinações políticas do cientista. Entendo que essa separação seja, em muitos momentos, utópica. Valores externos à ciência já afetam o cientista antes mesmo de ele iniciar qualquer pesquisa. Com freqüência, a linha que de pesquisa esta intimamente ligada aos seus valores. Tal fato não é exatamente um problema, desde que o cientista consiga dosar com cautela a interferência destes valores.

Uma muleta chamada ciência

Acredito que a questão principal na relação entre ateísmo e ciência é a forma como a ciência é usada como sustentação do ateísmo. A verdade é que não existe absolutamente nada na ciência que embase, ainda que minimamente, a inexistência de Deus. Em verdade não é o objetivo do empreendimento científico lidar com essas questões e o motivo é simples: A ciência lida com fenômenos naturais e, por definição, Deus é uma entidade sobrenatural.

Talvez seja exatamente por isso que tantos ateus usem a ciência como muleta, uma atividade tão materialista serve muito bem aqueles que desejam negar a possibilidade de um mundo imaterial. É importante notar que não estou aqui defendendo a existência deste outro mundo. Apenas tento estabelecer que não há motivos suficientemente fortes para atrelar à ciência ao ateísmo ou a qualquer outro movimento religioso.

É importante termos em mente que a ciência é maior que o cientista e, muito embora ambos se relacionem intimamente, as opiniões do cientista não são necessariamente fundamentadas cientificamente.

Eugenia x Evolução

janeiro, 2008

Não são raras as vezes em que a teoria evolucionista darwiniana é acusada de dar suporte a políticas eugênicas. No dia 24 de dezembro de 2007 o Sr. Olavo de Carvalho nos presenteou com mais um de seus textos bombásticos, estabelecendo um contexto histórico inventado, criticando as transformações e modificações da teoria e acusando-a de embasar as idéias de busca por uma raça humana superior.

Vou direto ao ponto que quero abordar, ignorando toda a baboseira desconexa que Olavo cria ao inventar uma linha do tempo sem fundamentação para o surgimento do pensamento evolucionista. A relação da evolução com as idéias de eugenia não se sustenta cientificamente por vários motivos. É preciso primeiramente lembrar que, no caso da teoria darwiniana, o termo “evolução” não é usado em sua condição usual de progressão.

Não existe uma “escada evolutiva” que remete a um igualmente inexistente “último degrau” aonde o homem estaria hipoteticamente situado. Essa visão parece bastante comum mas biologicamente falando, o homem é considerado mais uma entre tantas espécies. É muito importante entender esse conceito. Algumas espécies são evidentemente mais complexas que outras, no entanto não são “mais evoluídas”.

O termo evolução neste caso, se aplica a variações na freqüência alélica do material genético do indivíduo. Acredito que já expliquei isso antes neste mesmo blog, mas o faço novamente. Quando da ocasião da multiplicação das células gaméticas, ou células reprodutivas, processos de mutação modificam algumas áreas do DNA .

Em geral modificações profundas são extremamente nocivas e a célula se torna inviável para os fins a que serve. Em todo caso eventualmente a mutação pode não ser tão drástica e não torna a célula inviável. As mutações produzem modificações nos alelos e é a isso que o termo evolução se refere.

O efeito é melhor observado em organismos simples e de reprodução acelerada, como as bactérias. Em regra estamos todos passando por processo semelhante e a longo prazo, e com o devido isolamento, seria possível observar os efeitos dessas modificações em organismos complexos. No entanto, o tempo de observação seria tão grande que não é possível realizar de forma controlada.

Os fósseis no entanto nos ajudam a inferir esse efeito e a traçar um caminho evolutivo para cada espécie do planeta. Veja que apenas o bom entendimento deste conceito já serve como contra-argumento para a tentativa desonesta de estabelecer vínculos entre a evolução darwiniana e e a eugenia. Se não existem espécies mais ou menos evoluídas, se a evolução não segue em uma escala direta, então não se pode produzir uma raça superior.

No entanto, existe ainda um outro argumento biológico que ajuda a entender de uma vez por todas que o sistema eugênico não faz sentido. É sabido que a variabilidade genética de uma espécie é importante para a manutenção desta espécie. Ou seja, quanto maior a variabilidade dopool gênico da espécie, mais difícil será de ela enfrentar eventuais problemas de adaptação.

Na eugenia a idéia é produzir uma raça “pura”, evitando a miscigenação dos indivíduos. Evitar a miscigenação é diminuir intencionalmente o pool gênico da espécie, restringindo a variabilidade e deixando a espécie mais suscetível a problemas de adaptação ou de ordem genética. É evidente portanto que a biologia ou qualquer outro ramo da ciência jamais tentou justificar ideologias quaisquer.

Qualquer biólogo poderia ter facilmente esclarecido as dúvidas do Sr. Olavo de Carvalho e evitado que ele, mais uma vez, fosse tido como um mentiroso tendencioso que deforma a realidade da maneira como quer para poder sustentar sua insanidade.

Resta a dúvida de até quando ele continuará se passando por alguém com ideais e será finalmente encarado como realmente se deve, um charlatão ignorante que não faz a menor idéia do que esta falando.

O pequeno problema da mídia.

novembro, 2007

O pequeno problema da mídia é que toda notícia é, antes de qualquer coisa, um produto a ser vendido. Hipoteticamente não haveria problema algum com isso, não fosse o fato de a notícia ser processada, como se fosse matéria prima, e vendida em uma embalagem bonita, como se fosse um pacote de salgadinhos. Um bom exemplo disso foi a recente publicação de um estudo que demonstrava uma forma de se conseguir células tronco polivalentes (células tronco capazes de se transformarem em qualquer tido de célula, com exceção dos anexos embrionários.), hoje extraídas apenas de embriões, usando células da pele.

Eu tive a oportunidade de receber a notícia através do Jornal Nacional da Globo. A reportagem anunciava o fato, dizendo rapidamente algo sobre a técnica empregada e em seguida alardeando que esta deve ser a maior descoberta, no campo de pesquisa com células tronco, dos últimos tempos. A reportagem seguia ainda mostrando todos os benefícios do tratamento com células tronco polivalentes, passeatas de pessoas com problemas físicos que teoricamente só poderiam ser resolvidos com o uso de células tronco e encerrava com o aval do Vaticano sobre a nova técnica. No dia seguinte, o mesmo Jornal Nacional, no mesmo horário, divulgou uma outra matéria.

O anuncio da matéria dizia que “cientistas brasileiros olham com cautela para a nova técnica que transforma células da pele em células tronco embrionárias”. O que o Jornal Nacional não disse foi que provavelmente TODOS OS CIENTISTAS SÉRIOS DO MUNDO estão olhando com cautela para o novo método, possivelmente até seus descobridores estão cautelosos. Mas já estava feito. Após as matérias do Jornal Nacional todo o tipo de revista, reportagem, entrevista e mesa redonda foi feito sobre o tema.

A notícia virou produto e muita informação circulou nos dias subsequentes. A questão é, qual era a qualidade da informação vendida? Há motivos para alardear tanto uma descoberta científica? Quais os interesses por trás disso tudo? Difícil responder tais questões. É possível afirmar apenas que a técnica é muito interessante por resolver o maior problema do estudo com células tronco hoje, a questão moral sobre os embriões. No entanto a descoberta é recente e não sabemos suas consequências.

A técnica usada para transformar as células de pele em células tronco é a manipulação de genes, e a manipulação de genes não é algo exatamente previsível. Em geral, erros na manipulação inviabilizam a célula modificada. No entanto, não há motivos pra crer que a manipulação desses genes seja de todo segura. Outra questão é de que o uso terapêutico de células tronco embrionárias em animais com frequência resulta em um câncer com resultados fatais e não na cura para a doença tratada. Este é o motivo para todos os cientistas estarem cautelosos sobre a nova técnica, e é por isso que os meios de mídia deveriam ser mais cautelosos ao divulgar a descoberta.

Que vendam seu produto, mas que o façam de forma responsável, especialmente no que diz respeito a novas descobertas científicas. Quanto a nova técnica, sejamos cautelosos, mas vamos torcer para que ela possa se desenvolver de forma a trazer os benefício esperados.

Mais um pouco sobre raças.

novembro, 2007

Este tema já foi discutido aqui, e por isso mesmo deixo a simplicidade de lado e me aprofundo um pouco mais no assunto. Recentemente tivemos a infeliz declaração do Dr. Watson, que alegou que os africanos são intelectualmente inferiores que o resto do mundo, justificando tal afirmação usando a genética. Tal declaração reacendeu uma série de discussões sobre o papel da ciência na origem do racismo. Alguns, menos honestos e mais apressadinhos, logo se adiantaram a dizer que o racismo é filho da ciência, esta mãe solteira e prostituída que agora nega sua própria cria.

Evidente que no “mundo ideal” destas pessoas é muito simples atribuir à uma única atividade humana, aquela que mais os incomoda por uma série de questões, um problema que, no mundo real que esta longe de ser o “ideal”, possui raízes muito mais profundas. Mas antes de entrar nesta discussão, vamos dar uma olhada rápida no passado, presente e futuro do conceito de raças para à ciência.

Um pouco de história antiga

Classificar a biodiversidade do planeta não é uma atividade recente. O primeiro sistema de classificação que se tem notícia é o de Aristóteles, que separava os animais em grupos de acordo com o local em que viviam (terra, água e ar). Desde então ficou clara a importância de se classificar os animais de forma a facilitar o estudo da imensa biodiversidade do planeta.

O processo de classificação mudou muito desde Aristóteles, especialmente entre os séculos XVII e XVIII. Foi durante esse período que a sistemática atual ganhou corpo com o trabalho de Lineu, que desenvolveu a nomenclatural binominal que é usada até hoje. Lineu também foi o responsável pela construção da hierarquia que divide os animais em reinos, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie.

Cada divisão dessas é conhecida como táxon. Era a análise morfológica, ou seja, a comparação de características físicas dos animais que levava os cientistas da época a determinarem em que táxon cada um se enquadrava. Mas as dificuldades logo surgiram. Algumas animais pareciam se enquadrar em mais de um táxon, enquanto outros pareciam não se enquadrar em nenhum.

Com isso foram sendo criados subtáxons, que funcionavam como uma espécie de “gambiarra” de sistematização. Não demorou para um táxon em particular, o que definia a espécie dos animais, ganhasse um subtáxon conhecido como subespécie. É importante notar que em algum momento da história, o conceito de subespécies e raça acabou se misturando.

A princípio a palavra raça definia apenas as diferentes variedades comerciais de alguns animais como cachorros, pombos, cavalos e etc. No entanto, logo subespécies e raças se transformaram em sinônimos, dando ao termo raça uma espécie de embasamento científico diretamente relacionado à sistemática.

Com o conceito de raças mais ou menos estabelecido, alguns cientistas da época, incluindo Darwin, acabaram por separar as populações humanas em raças. A divisão era feita, como tudo na época, por comparação morfológica e foi essa divisão que deu origem à divisão dos humanos em negros, caucasianos e mongolóides.

Um pouco de história moderna

No século XX as coisas mudaram um pouco. Ficou claro para os biólogos modernos que separar os animais por diferenciação morfológica não era mais suficiente. Com frequência haviam enganos e mudanças de classificação. A maioria passou a concordar que a classificação feita por comparação morfológica era muito subjetiva.

O avanço dos estudos em genética, comportamento animal, biologia molecular e muitos outros acabou por definir uma nova forma de classificação. Hoje em dia temos três ciências que cuidam disso, a sistemática, a filogenética e a cladística. A sistemática cuida da organização, criação ou extinção das ordens taxonômicas. A filogenética estabelece as relações evolutivas sobre os organismos na tentativa de melhor agrupá-los nos táxons. A cladística analisa a relação evolutiva dos seres tentando estabelecer sua genealogia.

A genética é parte muito importante neste estudo e ajudou a responder uma série de dúvidas de classificação. Foi a genética que mostrou que o conceito de subespécies era superestimado e que, em geral, nenhuma classificação de subespécies se sustenta.

O índice de fixação

Tal afirmação se baseia no índice de fixação, conceito criado por um geneticista americano chamado Sewall Wrigth. O índice de fixação surgiu de um conceito anterior que estabelecia que, quando da análise morfológica de duas populações, um valor de variação entre 25 a 30% entre elas indicava que eram subespécies diferentes.

O índice de fixação usa o mesmo valor de variação, mas a variação que se compara não é mais entre as diferenciações morfológicas e sim do material genético. Usa-se a fórmula do índice de fixação para se calcular a diferenciação genética entre duas populações e entre indivíduos de uma mesma população. Diferenças genéticas entre 25 a 30% indicam que as populações comparadas pertencem à subespécies diferentes.

A aplicação do índice de fixação entre os seres humanos indicou que as diferenças genéticas não ultrapassam 15%, estabelecendo por fim que não existem subespécies, e portanto raças, entre os seres humanos. A aplicação do índice de fixação em outros animais vem indicando que as divisões em subespécies não encontram embasamento genético.

A comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica não estabelece regras para a nomenclatura de subespécie, indicando que a comunidade científica internacional esta de fato abandonando o conceito de subespécies e, portanto, raças.

Um pouco de palpite sobre o futuro

Eu acredito que daqui pra frente a tendencia será ir abandonando aos poucos os subtáxons. Os táxons em si estão passando atualmente por uma profunda reformulação, reenquadrando algumas formas de vida em reinos próprios. A microbiologia e a genética tem papel fundamental nesta reformulação, pois estabelecem formas confiáveis de análise comparativa dos seres vivos. A morfologia não foi totalmente descartada e, muito provavelmente, nunca o será. Mas seu papel foi imensamente reduzido.

Voltando para a discussão do racismo

Aqueles citados acima, os desonestos e apressadinhos que atribuíram o surgimento do racismo à ciência, costumam com frequência ignorar que o empreendimento científico não é um processo dogmático. A ciência erra, e erra muito. Mas aceita seu erro e, tendo completa consciência de que seus processos não são perfeitos e a prova de falhas, com frequência os reformula para refletirem melhor a realidade observada.

Neste sentido, a ciência assume que por um período deu suporte ao conceito de raças na espécie humana. Mas deixa claro que as pesquisas e técnicas recentes desfizeram esse engano. O conceito de raças é hoje marginalizado mesmo nas ciências sociais, aonde se prefere usar o termo etnia para se referir às diferentes populações humanas. Atribuir o racismo à ciência unicamente, é ser desonesto e absolutamente superficial. É ignorar todo um processo histórico e cultural iniciado desde o surgimento do homem na Terra.

Como ignorar que a igreja justificava a escravidão dizendo que os negros não tinham alma e que, portanto, não passavam de animais? Como assumir que o simples ato de se conceituar raça, justifique ações de ódio contra raças? Será mesmo que se o conceito de raça jamais tivesse sido formulado, nunca teríamos visto o ódio entre brancos e negros? Como ignorar os processos de transformações políticas, culturais e sociais quando o mundo começou a ficar pequeno demais para manter as populações humanas separadas geograficamente, misturando as mais diversas culturas e gerando os mais diversos conflitos? Alguém ai da platéia gritou Jihad? Cruzadas?

Estou certo que sim.

Advogando para o Diabo

outubro, 2007

Muito se fala em proteger animais em processo de extinção. É quase senso-comum que a proteção dos animais que estão na lista de extinção é um fator benéfico e, mais ainda, necessário. Alguns diriam compensatório, algo que se faz para que o homem possa chegar ao final de seu dia de destruição em massa do planeta e consiga deitar sua cabeça no travesseiro tranquilamente. Existem inúmeros projetos para conservação das espécies e, mais impressionante ainda, há quem defenda projetos de reespeciação. Reespeciação é o termo dado à tentativa de trazer de volta a vida espécies de animais que já estão extintas mas que possuem abundante material genético conservado. Uma espécie de Jurassic Park, mas menos drástico e mais nobre. Mas quanto de nobreza existe em tais ações?

Quantas vezes nos questionamos sobre motivo que faz com que o homem se preocupe com a preservação das espécies em extinção? Seria uma atitude legítima e compensatória, uma atitude altruísta até? Ou poderíamos dizer que defendemos a manutenção da fauna de nosso planeta pois somos incapazes de prever o impacto causado pelo desaparecimento de uma espécie qualquer? Talvez o impacto seja grande o suficiente para prejudicar toda a dinâmica ecológica do globo, pondo em risco a existência de nossa própria espécie. Neste caso, seria um comportamento egoísta? Se assim o for, o que será do meio ambiente caso nossa tecnologia um dia consiga nos manter de forma autônoma, independente das condições do meio ambiente?

Por outro lado existe a defesa de que o homem, em decorrência do seu desenvolvimento tecnológico e social, se afastou de sua origem harmoniosa com a natureza. Alega-se então que essa preocupação com o meio ambiente seria uma tentativa de retomar algo que se perdeu no decorrer de nossa existência. Como se algo que nos era muito caro tivesse se perdido em algum momento da história e agora isso nos faz falta, nos provoca uma sensação de vazio e de falta de propósito, nos torna seres a parte da natureza. Objetos estranhos em um mundo limpo, verde e perfeitamente integrado.

A sensação de afastamento pode até ser real, mas não acredito que tal afastamento exista de verdade. Somos e sempre fomos parte do meio ambiente. Proteger animais em extinção não nos faz mais “próximos” da natureza. Por vezes nossa “proteção” é duvidosa. Cito o caso que me foi relatado aonde um documentário exibia os esforços de biólogos em realizar o controle populacional de uma espécie de ave de uma ilha qualquer. A justificativa do controle era de que outra espécie de ave sofria com a superioridade numérica da primeira espécie e, por falta de alimento e espaço para procriação, corria risco de extinção. Essa intervenção é correta? Impedir que uma espécie que se adaptou melhor ao ecossistema da ilha se desenvolva livremente não é, antes de um ato de caridade para a espécie que caminha ruma à extinção, uma agressão à dinâmica secular da natureza? Quantas e quantas vezes tal situação não ocorreu em um passado remoto sem que o homem pudesse interferir? Não somos nós mesmos frutos de tal dinâmica?

Pensando ainda em termos de seleção natural, é justo culpar o homem pela extinção de qualquer espécie? É certo que a ação do ser humano é responsável pelo fim de muitas espécies, isso não se discute. O desaparecimento da mega-fauna (ou ao menos parte dela) das Américas parece estar diretamente relacionada com a chegada do homem ao continente. Eram homens primitivos, que caçavam com lanças e flechas, que passavam dias e noites no cerrado brasileiro perseguindo sua presa. Eram homens simples, hipoteticamente integrados, em perfeita harmonia com a natureza, mas que levaram parte da mega-fauna à extinção. Devemos nos culpar por isso? Devemos culpar nossos ancestrais primitivos por fazerem o que todo ser vivo deste planeta faz? Garantir seu próprio alimento e sua própria sobrevivência.

Que o leitor que corajosamente chegou até aqui não se engane. Não estou defendendo o descompromisso com a situação do planeta. O que quero com este texto é tentar entender até aonde podemos nos culpar pela situação em que o Planeta se encontra. Tal situação é tão ruim quanto gostamos de espalhar? Não somos apenas mais um evento de extinção em massa, como tantos outros do passado, e que um dia irá cessar e permitir que outras espécies animais e plantas se desenvolvam? De onde vem a culpa que sentimos pelo aparente padecimento da natureza e até onde devemos interferir para garantir o bem estar da fauna e da flora? Temos a capacidade intelectual necessária para entender o que é o bem estar da fauna e da flora? Os eventos de extinção, caros leitores, são antes de tudo uma probabilidade matemática.

A vida na Terra parece teimar em deixar de existir. Sobreviveu ao evento KT (cretáceo-terciário, o evento de extinção em massa que deu fim à existência dos dinossauros e a muitas outras espécies de plantas e animais) e, antes dele, sobreviveu a outro evento que dizimou 90% da biodiversidade do planeta. A vida sempre encontra um meio de resistir, e resistirá à passagem dos homens.

Mas resistirá o homem à passagem do tempo e ao nosso próprio evento de extinção? Talvez, de todas as questões levantadas neste texto, esta seja a única passível de resposta, mas receio que tal resposta só fique clara quando não mais tivermos a capacidade de intervir.

O argumento da entropia

setembro, 2007

Na tentativa de desacreditar o darwinismo e a “teoria da evolução” como um todo, seus oponentes criam os mais diversos argumentos falaciosos. Existe um em particular que é usado com certa frequência e muitas vezes acaba sendo considerado válido pelo público leigo. É o argumento que se vale das leis da termodinâmica para provar a impossibilidade de qualquer organismo vivo evoluir.

A termodinâmica é um conjunto de leis da física que explica a natureza da energia e suas interações e transformações. É a termodinâmica que estabelece que energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada. É a termodinâmica também que estabelece o conceito de entropia. A entropia, erroneamente conhecida como um estado caótico, é na verdade o conjunto total da energia em seu estado mais degradado. Tão degradado que não pode ser convertida em mais nenhum tipo de energia.

É a entropia que impede a produção de um motor de funcionamento perpétuo. Imaginava-se um motor a vapor, aonde pistões seriam colocados em movimento pela força do vapor, o calor emitido pelo movimento dos pistões seria usado para aquecer a água que se transformaria em vapor e moveria os pistões. O problema é que quando a força do movimento dos pistões se converte em calor, parte da energia se degrada no processo impedindo seu reaproveitamento.

O que os opositores da teoria da evolução fizeram foi aplicar o mesmo conceito aos organismos vivos. Como explicar um cenário aonde organismos vivos simples vão gradativamente ficando mais complexos e mais exigentes de energia? Aparentemente a evolução então violaria uma lei da física e a única explicação conveniente seria acreditar que os seres vivos teriam sido criados em suas formas mais complexas.

O argumento todo faria muito sentido, se os opositores da evolução não omitissem um pequeno detalhe sobre a termodinâmica e a entropia. A entropia só aumenta em sistemas fechados, ou seja, sistemas que não recebem energia de fontes externas a eles. É o que ocorre com um motor de carro por exemplo, quando colocamos gasolina ou álcool estamos repondo a energia que foi convertida e diminuindo a entropia do sistema como um todo.

O planeta Terra é um sistema aberto. Sofre influencia direta dos raios de Sol e de raios cósmicos que chegam até aqui de todos os pontos do Universo. Essa descarga de energia entrando no planeta compensa a entropia e impede que ela aumente desordenadamente, ou seja, a entropia não impede que a evolução ocorre e portanto a evolução não fere uma lei da física.

Cada vez que uma planta fotossintetizante absorve a luz do Sol, compensa sua entropia. Cada vez que um vegetariano come uma planta, repõem a energia degrada pelo seu metabolismo diminuindo a entropia. Cada vez que um carnívoro se alimento de um animal herbívoro, compensa sua entropia.

Cada vez que o argumento da termodinâmica é usado para defender a impossibilidade da evolução, seu argumentador pode ser considerado um mentiroso desonesto que se vale da ignorância do público leigo para espalhar crenças infundadas ao mesmo tempo que tenta refutar não só uma teoria, mas um fato amplamente observado.

10% do cérebro? 100% mito*.

agosto, 2007

Muito se especula sobre a capacidade do raciocínio humano. Nosso cérebro é, observando-se as devidas proporções, o maior do reino animal. Um orgão tão complexo naturalmente é alvo das mais diversas controvérsias. Uma delas, talvez a mais conhecida, é a idéia que atesta que os seres humanos só utilizam 10% de sua capacidade cerebral. Mas qual a verdade nesta afirmativa?

Antes de averiguarmos se realmente a capacidade cerebral não é totalmente utilizada, é preciso entender de onde veio tal conceito. Durante o século 19 as pesquisas sobre o funcionamento do cérebro ainda estavam engatinhando. Existiam diversas teorias sobre a maneira como o cérebro processava as informações. Uma dessas teorias alegava que o cérebro agia como um todo, processando todas as informações da mesma forma e em um mesmo local. Karl Spencer Lashley, seu criador, elaborou um experimento para comprovar sua teoria. Realizava pequenas cirurgias em ratos, lesionando propositalmente partes do cérebro dos animais e depois averiguando seu comportamento.

Lashey logo chegou a conclusão de que, de fato, os ratos não mostravam perda de habilidades visuais ou de memória significativas, mesmo quando a lesão atingia aproximadamente a metade do cérebro. Seus experimentos foram a base de outras teorias que foram surgindo e acabaram por gerar o mito de que os seres humanos não utilizam plenamente sua capacidade cerebral.

Embora sempre tenha havido oposição a esta teoria, ela acabou sendo amplamente difundida pois permitia uma série de interpretações nada científicas. “Videntes” e pessoas que alegavam possuir toda sorte de poderes sobrenaturais davam credibilidade às suas habilidades dizendo que eram capazes de utilizar mais amplamente sua capacidade cerebral. Os “10% do cérebro” viraram um local seguro a se recorrer quando um embasamento científico era necessário para dar credibilidade a algum tipo de charlatanismo.

A teoria de Lashley não sobreviveu aos ataques da ciência. Scanners de ressonância magnética e os PET’s demonstraram visualmente que de fato o cérebro age de forma compartimentalizada, processando diferentes informações em diferentes regiões. Os experimentos de Lashley também se provaram tendenciosos já que não analisavam de forma ampla o comportamento dos ratos lesionados. No mais, a própria afirmação de Lashley não se sustenta. Seria possível retirar 90% do cérebro de uma pessoa sem causar danos reais? O que dizer dos lobotomizados? Afinal, o que esses 10% significam de fato? Nem Lashley, nem os defensores de sua idéia souberam responder.

Hoje em dia o mito dos 10% ainda sobrevive, mas com nova roupagem. No livro Cachorros de Palha (RCB, 2005) John Gray defende que nosso consciente só consegue captar alguns poucos megabytes de informação enquanto nosso inconsciente capta um número muito maior de dados. Não há formas científicas de se quantificar a quantidade de dados captados pelo consciente, mesmo essa divisão de consciente, subconsciente e inconsciente é questionada pela ciência. Tal idéia não me parece diferir muito do mito dos 10%, tanto em sua honestidade quanto em sua validade.

*Obrigado ao amigo Ogro pela idéia do texto.

Indo além

Cachorros de Palha
Continuum: Como Funciona o Cérebro?

Mente e Cérebro