A explosão cambriana é um período curioso da história da vida na Terra. Quando olhamos para o registro fóssil do período anterior, notamos que a diversidade biológica não era lá muito grande. Ou talvez as condições não fossem as melhores para o processo de fossilização. O caso é que na passagem do pré-cambriano para o cambriano, a biodiversidade do planeta da um salto incrível. Uma espécie de “explosão” de tipos de seres vivos. A ciência teve um período similar, conhecido como Revolução Científica.
Aconteceu entre os séculos XVI e XVII. Até então o empreendimento científico existia de forma tímida, e se perdia dentro de atividades como a alquimia ou astrologia. Mas de maneira semelhante à biodiversidade, durante o período de transição entre a Idade Média e o Renascimento, a ciência ganhou corpo e começou sua trajetória meteórica até o ponto em que se encontra hoje.
E assim como a explosão cambriana, o período da Revolução Científica é coberto de controvérsias. Provavelmente a maior delas seja a explicação para a revolução ter se passado na Europa Ocidental. O fato é que em termos de avanço do conhecimento, a China e os povos islâmicos, em muitos aspectos, eram tão, ou talvez mais, avançados que os europeus.
Mas tanto os islâmicos quanto os chineses, em algum ponto, pararam de avançar enquanto a Europa prosseguiu. O resultado foi que a ciência, até então um desdobramento da filosofia, ganhou autonomia. Se institucionalizou e cresceu vertiginosamente. Em quatro séculos, avançou mais do que nos quase dois mil anos anteriores.
Grandes nomes da história da ciência, como Galileu Galilei, Kepler e Descartes tiveram muita influência neste período. Assim como o pensamento positivista, que logo iria estabelecer o rumo do pensamento científico dos próximos anos.
A ciência atual se consolidou como a conhecemos no final do século XIX. Apesar de essencialmente ser diferente daquela proto-ciência do período da Revolução, ainda traz a herança positivista. Mesmo assim, muito se discute sobre o que é a ciência e como ela se posiciona na sociedade.
São discussões relevantes e que em geral questionam fortemente o modelo atual. Não sabemos em qual direção a ciência irá seguir nos próximos quatro séculos, mas talvez estejamos às beiras de uma nova revolução.
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Muito bom!
Fico pensando: imagina que interessante se uma nova “civilização” surgisse agora com essa nova revolução??? Porque, como você mencionou, os Chineses e os Islâmicos eram mais avançados e diminuíram o ritmo, e aí a civilização ocidental, se apoiando até no conhecimento deles, construiu em cima disso e chegamos aqui. Seria interessante se agora aparecesse outro povo e fizesse a nova “revolução científica” em cima do que temos construído (“temos” aqui simplesmente porque também sou ocidental, EU particularmente não agrego absolutamente nada à humanidade, com orgulho).
Não que tenhamos parado de avançar, mas não é mais o “boom” que já foi, obviamente.
Olá Thiago,
VIm aqui retribuir sua visita ao Terceira Margem do Sena e encontrei um blog inteligente e bem articulado. Muito obrigado pela visita e por esse texto interessante.
Na verdade, percebo que os cientistas e profissionais com formação científica (médicos, dentistas, engenheiros, etc) têm poucas leituras em filosofia da ciência. Na maior parte das vezes, isso não os impede de serem bons profissionais em suas áreas. Mas os torna tremendamente áridos. Outro dia, surpreendi-me vendo minhas colegas discutindo astrologia. Detalhe: por “colegas”, refiro-me a doutorandas em neurociências em Paris.
Não se trata de um fenômeno banal. É seríssimo. Não é à toa que, no Brasil, as pessoas que tiveram uma formação científica relativamente correta sejam presas fáceis para misticismos, seitas e religiosos inescrupulosos. A Revolução Científica aconteceu na História, mas me parece que ainda não aconteceu nas mentes (mesmo nos indivíduos “estudados”).
Por essas e outras, aplaudo seu blog e espero poder voltar aqui mais vezes.
Abraço,
Lelec
[...] influenciaram de maneira determinante todo o desenvolvimento científico do período anterior à revolução científica. Platão, com seu mundo das ideias, acreditava que o homem não era capaz de encontrar as causas [...]
[...] dos gigantes da história e filosofia da ciência. Seu trabalho foi fundamental para a estabelecer a revolução científica com o ponto central da história da ciência, além de romper com a narrativa positivista da [...]